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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Reportagem Multimídia: As experiências brasileiras

A utilização dos recursos multimídia no Brasil encontra-se dividida em dois grandes eixos: matérias em vídeo e grandes reportagens que seguem uma estrutura baseada na de um site. Embora muitos jornais já se utilizem deste modelo, ainda há uma limitação por parte dos veículos tradicionais.
O Estado de São Paulo, por exemplo, possui em seu site uma seção destinada apenas as reportagens multimídias, no entanto, estas matérias não são tão exploradas quanto poderiam. Alguns exemplos dessa abordagem simplificada são as reportagens sobre o Festival de Cannes e o caso do vôo da Air France.
Algumas vezes o recurso, apesar de tratado como matéria, fica mais próximo do infográfico do que de uma reportagem multimídia. O jornal Folha de São Paulo mostra-se ainda mais atrasado do que o Estadão, pois em seu conteúdo foi encontrada apenas uma reportagem multimídia, produzida pelos trainnes do Grupo Folha.
A matéria trata de uma reunião que culminou no golpe final da ditadura, o AI-5, e foi muito bem produzida, contando com diversos áudios e uma boa interatividade. Mas, infelizmente, a presença de apenas uma matéria deixa a desejar em relação a utilização dos recursos em questão. Mas o setor tem-se mostrado em crescimento devido à experimentação daqueles que estão descontentes com as formas tradicionais do jornalismo.
Alunos de universidades e mesmos profissionais já consolidados vêem na reportagem multimídia um novo formato, mais promissor para o atual mercado. O grupo Garapa é um dos casos de descontentamento com o mercado. Ele surgiu a partir da conversa de um grupo de jornalistas da Folha de São Paulo que estavam descontentes com a prática jornalísticas.
A partir daí, o grupo produziu, entre muitos outros formatos, várias reportagens multimídias. Basta acessar a seção do blog para se ter uma idéia de seu acervo. Já no meio acadêmico, o maior destaque é dos alunos do ECA-USP que produziram a reportagem multimídia Ambulantes no Trem. Toda feita em flash, a reportagem narra a situação dos vendedores ambulantes que circulam os metrôs da capital paulista, além de traçar um panorama da realidade social vivida por eles. O único pecado da matéria foi não ter aproveitado de modo mais eficiente o Blog, que ficou restrito as informações sobre o que o grupo foi fazer em cada dia e não abordou relatos mais contundentes da profissão do jornalista associada à multimídia.
Outro destaque no que tange a produção de reportagens multimídia é a Agência Brasil. Ligada ao governo brasileiro, a Agência tem um grande número de reportagens, de altíssima qualidade, tratando de temas que afetam a realidade do Brasil, tais como o aborto e o consumo consciente. Além disso, eles são os produtores de uma reportagem multimídia que conseguiu alcançar recordes de exibição, a Bon Bagay Haiti.
Os colaboradores da Agência Brasil ainda disponibilizaram em seus blogs alguns detalhes sobre o making off desta reportagem. Salientando a presença de uma equipe multimídia que é de fundamental importância para a boa execução da matéria.
O que se pode notar de um modo geral nas reportagens multimídia brasileiras é que há um privilégio dos temas não factuais. O melhor exemplo de reportagem multimídia brasileira encontrada pelo grupo foi a produzida pelo jornal gaúcho Zero Hora, tratando sobre o Hospital das Clínicas de Porto Alegre, aliás, o jornal tem uma boa atuação na produção multimídia, valendo como um exemplo a parte.

Grupo:
Ana Maria Pereira
Bárbara Gergeheimer
Débora Antunes
Felipe Menicucci
Gianini Hartback
Manuella Resende
Talita Aquino
José Timóteo

Reportagem Multimídia: A atuação do Zero Hora

Pertencente ao grupo RBS e visto como um dos jornais mais conhecidos da região sul do país, o Zero Hora já produz reportagens multimídias que são inseridas em seu site. Estas reportagens são colocadas em dois eixos, em um deles existe a produção de vídeos com fotografias e áudio, chamados de audioslides, e no outro há grandes reportagens com infográficos, vídeos, fotos, simulações e áudios, ou seja, há uma associação entre as várias linguagens midiáticas para o tratamento de um tema.

Nas reportagens do primeiro grupo não há um completo aproveitamento dos recursos oferecidos para a integração entre web e jornalismo, como exemplo destes pode-se encontrar em uma seção específica do site reportagens sobre esportes, sociedade e etc. Elas são constituídas por associação entre fotografia e áudio.

Já no segundo caso há a matéria sobre o hospital das clínicas de Porto Alegre, com o título de “O ciclo de vida no Clínicas”. A reportagem é estruturada como um portal, na página inicial se carrega um vídeo sobre a rotina no hospital, uma infografia que permite ao usuário navegar pelos setores do hospital (com uma vista de 360º do prédio do hospital), um menu com pdfs contando a história do hospital através de reportagens feitas pelo Zero Hora em tempos mais remotos , uma tabela com dados numéricos sobre as atividades do hospital e uma seção com as matérias recentes publicadas sobre o hospital.

O leitor pode utilizar qualquer um destes recursos para escolher a forma como deseja ver a notícia sendo contada, no entanto, o maior atrativo fica por conta do infográfico que permite a descoberta do hospital como se estivesse andando pelo prédio, além disso, há um link para a simulação de uma cirurgia, que também chama bastante a atenção.

A equipe utilizada para a confecção da reportagem é composta por repórteres, produtores de imagem (fotos e vídeo), arte finalista, produtor, programador e webdesigner. A presença dos dois últimos profissionais ressalta a importância da atuação do jornalista em parceria com as outras áreas para a produção deste tipo de material.

Assim como outros meios de comunicação o Zero Hora também se aproveita dos recursos web em outros setores, há, por exemplo, a criação de blogs para alguns colunistas e jornalistas, espaço para receber conteúdo enviado pelos leitores via web e interação entre leitores e o jornal via MSN e Google Talk (especialmente para o Hagah, que oferece informações turísticas, culturais ou de utilidade sobre as áreas cobertas pelo jornal).


Grupo:
Ana Maria Pereira
Bárbara Gergeheimer
Débora Antunes
Felipe Menicucci
Gianini Hartback
Manuella Resende
Talita Aquino
José Timóteo

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Jornalismo Móvel: Exemplos no Brasil

Experiências de filmagem com celular: - Beep (2004) – curta-metragem de Giuliano Chiaradia; - Gordo Viaja – programa da MTV filmado com 4 Nokia N95; - Nada Original – clipe do Pato Fu filmado com dois celulares, dirigido por Rodolfo Nakakubo e Giuliano Chiaradia; - O Retorno de Saturno – clipe do Detonautas filmado apenas com celular, dirigido por Giuliano Chiaradia. - Retrato Celular – série do Multishow, com direção de Andrucha Waddington, gravado quase que inteiramente através de celulares por 24 jovens de 4 capitais brasileiras.


No jornalismo brasileiro:
Repórter Celular (TV Alterosa, afiliada do SBT) Pioneiro na tevê brasileira (2005) programa utilizava 18 celulares da Sony Ericsson (divididos entre as sucursais da emissora). Fruto de parceria com a Telemig Celular que, além dos aparelhos, forneceu suporte técnico e desenvolveu software exclusivo. Todos os repórteres de rua carregavam um aparelho e enviavam os vídeos via e-mail, através do próprio celular quando existia sinal da operadora parceira no local, e depois de aproximadamente 15 minutos já estavam prontos para irem ao ar. Repórteres receberam treinamento sobre envio de imagens à emissora, enquadramento e não-realização de movimentos bruscos durante a filmagem. Benny Cohen, editor geral de jornalismo da TV Alterosa, em chat do Comunique-se, em 01/06/2005: “O Repórter Celular é uma parceria entre a TV Alterosa e a Telemig Celular. A operadora de telefonia nos forneceu aparelhos modernos, com câmeras de vídeo, mais o suporte técnico. Cada repórter de rua carrega um aparelho desses e pode transmitir, por e-mail, de qualquer lugar onde haja cobertura de sinal, flashes para a programação ou para os telejornais. A vantagem é que, em muito menos tempo do que uma emissora leva normalmente, a TV Alterosa pode receber notícias e dar as informações em primeira mão. Há casos como uma manifestação recente que aconteceu em Medina, no norte do Estado, onde a população fechou uma rodovia para protestar contra o péssimo estado da pista. Antigamente, nós só teríamos as imagens no dia seguinte. Dessa vez, colocamos o flash no ar cerca de meia-hora depois do fato acontecido. Isso nos deu uma grande mobilidade e rapidez na produção e veiculação de notícias.” “[...], na verdade, as imagens não entram ao vivo. Entram um pouco depois, coisa de 15 minutos, no mínimo, depois. A baixa resolução da imagem se justifica pelo factual. Há um insert na tela avisando: "imagens geradas via GSM Edge Telemig Celular". O telespectador, então, compreende que ele está vendo uma imagem com qualidade inferior ao padrão, mas porque é uma notícia muito importante, ou de última hora. É o mesmo que acontece quando colocamos uma imagem em VHS ou digital de cinegrafista amador, por exemplo. Mas eu tenho certeza de que a qualidade da imagem irá, gradativamente melhorar, porque os avanços tecnológicos nessa área têm sido enormes e muito rápidos.”

Notícia Celular (TV Jornal Recife, afiliada do SBT) e JC Online


Pertencentes ao Sistema Jornal do Commercio, que vem se integrando rapidamente à convergência de mídias, a TV Jornal Recife e o portal JC Online vem realizando transmissões ao vivo em streaming com a utilização de celulares há aproximadamente seis meses. Na realização do evento Oi Fashion Music e em um debates para a eleição do ano passado, os repórteres, com celulares 3G Nokia N95, câmeras digitais, notebooks e programas como Qik e CoverItLive, postavam fotos e textos, transmitiam vídeos ao vivo do evento e realizavam enquetes com a participação do público.



Repórter Celular, no Primeiro Jornal (Band)

No Primeiro Jornal, o projeto “Repórter Celular” apresenta imagens ao vivo feitas por repórteres com um aparelho celular N93 da Nokia. Utilizando tecnologia 3G através de um link dedicado, faz uso do aplicativo Movino, que possui linguagem em código aberto. Em bate-papo com Tiago Dória (jornalista e consultor de mídia), o diretor de tecnologia e produção jornalística da Band, com Eduardo Brandini, disse que a emissora optou pelo Movino devido ao baixo delay se comparado com o Qik, aplicativo utilizado pela BBC. De acordo com Tiago Dória, em testes realizados por ele, o Movino travava de vez em quando utilizado com um Nokia N95.


Urblog (Época)


Blog da Revista Época de São Paulo, coordenado pela jornalista Juliana Vilas, publica diariamente vídeos, entrevistas fotos e textos sobre personagens e curiosidades da cidade de São Paulo. Todo o conteúdo de imagens é registrado com um celular Nokia N95 usando uma conexão 3G. De acordo com Alexandre Maron, editor da revista, a intenção é que a repórter saia às ruas munida do aparelho sem nenhuma pauta definida, desenvolvendo as reportagens de acordo com o que for se deparando pela cidade, ou seja, algo que seria impossível a um jornalista que permanece o dia inteiro na redação. A idéia é que num futuro próximo o Urblog passe a fazer transmissões ao vivo de vídeo pelo celular, associando à tecnologia do geotagging. Semelhante à agência de notícias Reuters, a revista fechou uma parceria com a Nokia no fornecimento de “kit mobile para jornalistas”, com celular e teclado retrátil.


Repórter 3G (Jornal Extra)

Desde janeiro de 2009 o jornal Extra desenvolve o projeto Repórter 3G, no qual os repórteres, munidos de celulares com câmera e notebooks, além de realizarem apuração para a versão impressa, produzem textos, áudios, fotos e vídeos e editam e enviam o material diretamente do local da reportagem para a versão online do jornal.


Mobi A Tarde (Jornal A TARDE)


O Jornal A Tarde, de Salvador, possui o portal móvel Mobi A Tarde, desenvolvido para ser acessado por celulares e dispositivos móveis. Além do acesso a conteúdos do portal e das 15 editorias que farão parte do conteúdo que poderá ser recebido em forma de SMS por usuários das operadoras Claro, Vivo e Oi, a R$ 0,10 por mensagem, foram criados também o canal especial Verão, que conterá informações sobre o Carnaval de Salvador. O jornal criou uma equipe específica para produzir conteúdos para aparelhos portáteis, com textos mais curtos que os que aparecem nas versões normais do portal. Essa é mais uma das iniciativas do Grupo A Tarde no que se refere à convergência de mídias, que em dezembro de 2008 já havia sido pioneiro em lançar a primeira iniciativa de utilização da tecnologia QR Code por empresas de comunicação no país. A prova dessa tendência no Grupo é a criação das Coordenadorias de Jornalismo Integrado, de Novos Negócios e de Conteúdo Móvel.